Preparando a criança
Como preparar seu filho para a avaliação sem assustar: o que dizer, o que não dizer
A forma como você apresenta a avaliação define como a criança chega. Um roteiro por idade pra ela entrar tranquila e sair inteira.
A criança vai passar algumas sessões fazendo tarefas com uma pessoa que ela não conhece. Se ela chega achando que é uma prova, que vai ser julgada, ou que “tem algo errado” com ela, o processo fica mais difícil e o resultado pode nem refletir o que ela consegue. Se chega curiosa e confiante, tudo flui. A diferença está no que os pais dizem antes.
O que não dizer
“É uma prova.” Isso liga o alarme da ansiedade. A criança vai tentar acertar e vai sofrer com cada tarefa difícil.
“É pra ver se você tem algum problema.” A criança ouve “eu tenho um problema”. Ela chega na defensiva ou envergonhada.
“É por causa das suas notas.” Vira punição. A avaliação passa a ser consequência de “ter ido mal”.
“Não é nada, é só uma brincadeira.” Se ela percebe que é mais que isso, e vai perceber, sente que foi enganada.
Nada. Levar a criança sem explicar é a pior opção. Ela vai construir uma explicação sozinha, e costuma ser pior que a realidade.
O que dizer, por faixa etária
Até 6 anos. Simples e concreto: “Você vai conhecer uma moça que trabalha com crianças. Ela vai fazer uns jogos e desafios com você, de montar, de lembrar, de desenhar. É pra ela entender como você aprende as coisas. Eu vou estar esperando aqui fora.”
De 7 a 10 anos. Um pouco mais de contexto: “Todo mundo aprende de um jeito diferente. Tem coisa que é mais fácil pra você e coisa que é mais difícil. A gente vai fazer uma avaliação que mostra como o seu cérebro funciona, pra saber como te ajudar melhor na escola. Vão ser algumas sessões com jogos e atividades. Não tem nota, não tem certo ou errado.”
De 11 a 14 anos. Mais direto e respeitando a inteligência dele: “Você já percebeu que algumas coisas na escola custam mais pra você do que pros outros, né? A gente quer entender por quê. Existe uma avaliação que investiga atenção, memória, organização, essas coisas, e mostra onde está a dificuldade e onde estão as suas forças. Com isso a gente consegue pedir ajuda certa na escola, em vez de você continuar se esforçando no escuro.”
Adolescentes. Trate como parceiro do processo: “Quero te propor uma coisa. Eu sei que você está cansado de ouvir que precisa se esforçar mais. Existe uma avaliação que pode explicar o que está acontecendo de verdade. Não é pra rotular ninguém. É pra você ter informação sobre você mesmo. Você topa?”
Frases que ajudam em qualquer idade
- “Não tem certo nem errado. Ela só quer ver como você faz.”
- “Se alguma coisa for difícil, tudo bem. Isso também é informação importante.”
- “Você pode perguntar o que quiser pra ela.”
- “Ninguém vai ficar bravo com nada que acontecer lá.”
- “Depois a gente vai saber melhor como te ajudar.”
Antecipe as perguntas dela
“Vai doer?” Não. Não tem exame, não tem agulha. É conversa e atividade.
“Você vai ficar comigo?” Explique como vai ser: nas sessões dela, os pais esperam do lado de fora, mas estão ali.
“E se eu errar?” Errar faz parte. A pessoa quer ver como você pensa, não se você acerta tudo.
“Eu sou burro?” Essa pergunta pode aparecer. Responda com firmeza: “Não. Você é inteligente. A gente só quer entender o jeito que a sua inteligência funciona.”
“Por que só eu?” “Muita gente faz. Você não está sabendo porque as pessoas não costumam contar. É uma coisa normal.”
Nos dias das sessões
- Garanta uma boa noite de sono na véspera.
- Alimente bem antes. Fome e sono derrubam qualquer desempenho.
- Não marque atividades cansativas antes da sessão.
- Evite comentários do tipo “vai lá e faz direitinho”. Diga “divirta-se” ou “depois me conta como foi”.
- Se ela sair frustrada de alguma sessão, acolha sem interrogar. “Teve coisa difícil hoje? Faz parte.”
- Não pergunte “acertou?” nem “o que ela disse de você?”. A criança precisa sentir que a sessão é dela.
O que os pais precisam cuidar em si mesmos
Se você está ansioso com a avaliação, a criança percebe. Antes de conversar com ela, organize o que você sente. A avaliação não é um julgamento sobre você como pai ou mãe. É uma ferramenta pra ajudar seu filho. Chegue nessa conversa com calma, e ela vai chegar na sessão com calma também.
A Ninho ABC conduz a avaliação neuropsicológica com atenção ao ritmo e ao conforto de cada criança, e orienta os pais sobre como preparar o filho antes da primeira sessão. Se você tem dúvidas sobre como abordar o assunto com o seu, a equipe pode ajudar já no primeiro contato.
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A Ninho ABC realiza avaliação neuropsicológica de crianças e adolescentes de 3 a 17 anos em São Bernardo do Campo, com laudo completo e devolutiva para a família e a escola.
